A literatura vista de longe
A LITERATURA VISTA DE LONGE
Franco Moretti
Tradução: Anselmo Pessoa Neto
184 páginas
R$ 36,00
ISBN 978-85-60171-04-0
Se o leitor se intrigou com o título deste belo estudo e reagiu pensando “Mas literatura é sempre algo a ser visto de perto!”, seja bem-vindo: é exatamente este contraste o ponto de partida para apreciar e fruir adequadamente as teses de Franco Moretti sobre estudar literatura hoje.
Autor de alguns trabalhos de grande poder descritivo, muitos dos quais traduzidos no Brasil, Franco Moretti é talvez o mais original formulador das aproximações entre estudos de literatura e geografia. Estudioso do romance, forma narrativa moderna que domina o cenário das letras há mais de dois séculos, ele procede a levantamentos documentais da geografia presente no romance e dá a ver quão estruturante é o papel do espaço nos relatos ficcionais, para muito além do aspecto meramente paisagístico que habitualmente se concebe.
De outra parte, seu trabalho lida com os espinhosos temas da história da literatura, em especial do romance. Sabemos que ninguém tem mais serenidade de falar ingenuamente em histórias nacionais de literatura, menos ainda com a crescente mundialização dos mercados e o conseqüente entrecruzamento de tendências, estilos, enredos; mas quase ninguém ainda havia atinado com premissas sólidas para uma história mundial da literatura. E aí entra Moretti em cena: tomando por base uma perspectiva materialista mezzo darwinista, postula, em particular para o romance, alguns princípios capazes de descrever a origem e o desenvolvimento dessa forma narrativa em todo o mundo.
Utopia? Sim, mas ao alcance do debate, senão mesmo da escrita, como está provando sua obra. No livro que o leitor tem agora em mãos, Moretti oferece três modelos abstratos para a história da literatura. Abstratos, quer dizer: que lidam com a literatura como um objeto passível de uma perspectiva científica aparentada das ciências da natureza. Ele mesmo explica que seu marxismo tem pouco a ver com as sutilezas filosofantes das tradições francesa e alemã e muito em comum com a tradição empirista inglesa (Moretti, italiano, especializou-se em romance inglês, justamente).
Gráficos, mapas e árvores, então, são as figuras abstratas que Moretti mobiliza, aqui, para pensar (de longe, de cima, panoramicamente) sobre literatura, e o leitor vai logo apreciar o enorme rendimento que ele obtém, ao lado do não menos interessante ritmo de sua argumentação, marcante em maisde um sentido, que ajuda a arejar a conversa sobre história da literatura, aqui e em toda parte por onde já circula.
Luís Augusto Fischer
“Moretti apresenta seu mais poderoso argumento em favor de seu ponto de vista, uma herética mistura de história quantitativa, geografia e teoria evolucionária.”
The New York Times
“É raro um crítico literário que atraia tanta atenção do público, e há uma boa razão: são poucos os que realmente se empenham em repensar o modo como falamos de literatura.”
Times Literary Supplement




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